quarta-feira, setembro 01, 2004

Jamais te direi adeus

Não me apetece fazer nada. Nem se quer parar para saber como me sinto. E talvez seja esse o problema. Não quero sentir. Pelo menos hoje. Prefiro ficar aqui. Assim: de olhos postos para o nada. Mas na verdade quero sentir-me ocupada, pois só assim em nada penso. Mas não adianta. Estou consciente que ando a fugir aos meus próprios pensamentos. Na verdade, ando a fugir de mim, pois só assim eu deixo de pensar em ti. Fartei-me de sorrir quando me apetecia chorar. E por isso, agora, muito lentamente deixo as lágrimas escorrerem. E nada faço para as impedir. Porque quero continuar a pensar em ti. Porque não te consigo dizer adeus. Não quero aceitar que a nossa vida irá, para sempre, ter dois caminhos. O meu. O teu. Dois caminhos paralelos que jamais se irão cruzar. Isso assusta-me.
Já não sei o que sinto, nem o que quero sentir. Tu conseguiste modificar por completo os meus sentimentos. Fazer com que sejam eles a comandar a minha vida.
As palavras começaram a deixar de fazer sentido. Sinto-me obcecada por um único ser: tu. Tento ignorar-te, mas não consigo. Então tento fazer daqueles de quem gosto o centro das minhas atenções. Mas tu consegues estar sempre presente. Uma música, uma palavra, uma voz, um olhar ... tanta coisa que me faz pensar em ti. E então vejo-te lá no fundo. Tento agarrar-te mas tu foges. Corro, corro sem olhar para trás, sem ver o caminho que já percorri e o que vou deixando ficar. Só penso em alcançar-te.
E anoiteceu: percebi então que tudo não tinha passado de uma miragem. E deixei-me cair, no meio daquela estrada de alcatrão. Deixei-me ficar. As lágrimas pararam de escorrer. Olhei pela última vez tudo aquilo que me rodeava. Então sorri e deixei-me adormecer.

11 à janela:

At 1/9/04 8:05 da tarde, Blogger Estrela do mar disse:

Sarita, como te entendo...quero com isto dizer amiga, que infelizmente também já passei por algo semelhante e doeu muito...muito mesmo. Embora não pareça, ainda existe em mim muita coisa camuflada...com a qual ainda tenho que saber viver o dia a dia.
Espero que tu também consigas pelo menos o que eu consegui...com o tempo...
Um grande beijinho.

 
At 1/9/04 10:43 da tarde, Blogger whiteball disse:

Bem sei...é difícil, não é? Querer fugir...mas ao mesmo tempo, querer ficar...Abraço, WB

 
At 1/9/04 10:43 da tarde, Blogger whiteball disse:

Bem sei...é difícil, não é? Querer fugir...mas ao mesmo tempo, querer ficar...Abraço, WB

 
At 1/9/04 10:46 da tarde, Blogger BlueShell disse:

Bem dizia eu que era "difícil viver"...
É que eu sei e percebo o que sentes...já o senti, já me senti assim! Mas tens a certeza que esses caminhos são mesmo paralelos? Pode ser uma ilusão...e afinal eles encontrar-se-ão um dia...quando menos esperares...quem sabe?

 
At 1/9/04 10:54 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

whiteball, sentimentos contraditórios, estes.

BlueShell, quem sabe um dia... quem sabe. Mas não andarei a viver em função que esse dia chegue. Pois pode nunca chegar, é uma hipótese. E eu, olharei para trás e me aperceberei que não vivi como queria ter vivido. Vamos ver, sem grande entusiasmo, qual o desenrolar desta “história” bem verídica.

;)

 
At 1/9/04 11:02 da tarde, Blogger floreca disse:

Impossível esquecer quem um dia amámos...
Tenho de voltar aqui mais vezes, para ler isto tudo:-)

 
At 1/9/04 11:37 da tarde, Blogger almaro disse:

Tens razão. Eu também não gosto da palavra adeus. Soa a ponto final e a vida é um conjunto de ciclos sem fim. Talvez seja da idade, provavelmente da solidão, mas gosto de descodificar sinais e estes, dizem-me que duas pessoas para serem UMA, não correm atrás da outra. Correm uma para a outra. Mesmo que um agarre o outro em corrida presistente, passa a caminhar no sentido errado do sentir e do olhar. Sei que quando vemos alguém ou algo a correr na direcção oposta ao nosso olhar, temos o impulso de ir cegos do ver, atrás de uma ilusão. O sentir está na partinha, está na adição. Do amor, não falo, porque sobre esse só cada um sabe...

 
At 2/9/04 12:04 da tarde, Blogger Maria Branco disse:

Um dia Sara, esse sentimento que te envolve, que te amachuca, dará lugar a outro mais tranquilo, a outro que de alguma forma te libertará, e o irá libertar também a ele ... Não, o amor não acaba, não se extingue, transforma-se, acalma e permanece em ti... Um dia Sara, talvez seja possivel, gostaria que esse amor tão grande que te adivinho se concretizasse, livre, pleno, suave... Beijinhos, e obrigada pela visita

 
At 2/9/04 12:29 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

Estrelita**

Floreca ;)*

almaro: Como tu dizes, a palavra "adeus" soa que será para todo o sempre (o tal do ponto final) *

Maria, a sorte é que o coração tem sempre espaço para um novo amor... enfim...
Obrigada por cá teres aparecido ;)*

 
At 3/9/04 6:06 da tarde, Blogger lena disse:

sorri sempre e deixa-te adormecer...

queridinha :)***

 
At 3/9/04 6:36 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

Só espero não dormir por muito tempo.... mas tentarei, sorrir, sempre!! :)

:**

 

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