quinta-feira, novembro 11, 2004

Último esclarecimento

Aqui está o post que tinha prometido. Estou a fazê-lo como um último esclarecimento, até porque acho que o deva fazer. Já o disse em comentários, mas parece que não deu para entender e por isso a razão deste post:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Fernando Pessoa, Cancioneiro

Obviamente que não me considero poetisa nem coisa que se pareça. A verdade é que gosto de escrever, sinto-me bem ao fazê-lo. Agora a escrita não é só um conjunto de emoções verídicas, mas também um imaginar; um querer ser ou sentir... Isto a meu ver, é claro. Em todo o caso não considero a escrita uma mentira, nada disso. Em cada palavra há sempre algo que nos una, seja uma experiência vivida/sentida escrita em modo exagerando ou desfigurado. É isso, uma das coisas magníficas da escrita: podemos usar as palavras como quisermos, podendo juntar vários “ingredientes”.

Mais não me quero adiantar sobre este assunto,
Quis fazê-lo e ponto final. Gosto quando vejo que há quem goste do que escrevo; gosto de críticas; gosto de observações; gosto de qualquer tipo de comentários; gosto do silêncio de muitos. Mas admito que me incomoda um bocado julgarem-me pelo que escrevo. Não que isso seja importante para mim mas foi essa a razão deste post ter surgido, apenas para dizer o que disse.
Agora, depois do que disse podem imaginarem e sentirem o que desejarem, então aí, sorrirei, apenas.

Por último aqui fica o meu último “comentário” :

Toda a escrita é sentida mesmo que não tenha sido vivida.

Os meus cumprimentos,
Sara M.

8 à janela:

At 11/11/04 6:56 da tarde, Blogger Guilherme disse:

Touché.

 
At 11/11/04 9:32 da tarde, Blogger J25 disse:

A última frase bastava. Eu compreendo bem o que dizes... uma vez mostrei um texto que escrevi à minha mãe sobre a morte e ela meteu na cabeça que eu estava com uma depressão e com tendências suicídas... minha nossa senhora...
tal como tu gosto de imaginar, e sentir o que imagino... e descrevê-lo numa folha de papel... num blog... em qualquer sitio...
um beijo grande

 
At 12/11/04 12:09 da tarde, Anonymous Anónimo disse:

como sei o que sentes... como sinto tanto do que escreves sem ter vivido também... continua. Continua sempre...

deusados0l

olimpo.blogs.sapo.pt

 
At 12/11/04 12:33 da tarde, Blogger SL disse:

Vou tentar fazer um link lá em casa para este post...se me permites! É isso exactamente o que penso e sinto.
Quando se escreve há sempre algo nosso, mesmo que os motivos sejam de outrém...
Jinhos, obrigada, esperava não estar só neste barco!

 
At 12/11/04 9:07 da tarde, Blogger Micas disse:

"Toda a escrita é sentida mesmo que não tenha sido vivida."
É exactamente assim que sinto qd leio alguém ou qd faço as minhas tentativas de escrita.
A tua escrita é belíssima, gosto imenso de cá vir. Beijinho

 
At 12/11/04 9:21 da tarde, Blogger Sara Mota disse:

Krip ;)*

Jeremias, hehe...
Tadito que filho problemático deverias ser tu , que escrivias tais coisas... ohh céus.. LOl (tou a brincar, of course! =P**

deusados0l,
Volta sempre e obrigada :)

Blue
permito e fico satisfeita por isso :)
um beijinho ;)

Miguel,
gostei de te ler :)
Beijinho e bom fds ;)**

Micas,
não sabes o quão é bom saber que existe alguém que gosta do que fazemos. É optimo! :)*

 
At 15/11/04 6:05 da tarde, Blogger Refúgio Lunar disse:

Deixo o meu abraço e beijo de apoio para que continues. Tens força, vontade e espirito, liberdade ;)

 
At 9/2/05 1:03 da tarde, Blogger fcondeco disse:

hummm, bigada

 

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