quarta-feira, novembro 03, 2004

Quadro negro: Obsessão. Morte.



Entre jogos de palavras
vou dizendo que gosto de ti:
ontem, hoje, amanhã e eternamente.
Rindo loucamente
guio-me na mesma loucura
esquecendo-me de mim
deixo de viver:
para ter tempo só para ti.

Sei quem és. Não sei quem sou.
Sei onde estás. Não sei onde estou.
Perdi-me em teu ser
esqueci-me de mim nos teus segredos,
e sem espaço para me amar:
amo-te.
Amo-te obcecadamente;
amo-te por capricho;
amo-te porque não sei o que é amar.
Não sei sentir. Não sei viver.
Não sei.

Não me amo, nem posso amar ninguém
não sonho, nem posso ser o sonho de alguém.
Assim, não sou, nem serei, nunca, alguém.

Coração negro, olhos sem brilho,
rosto sem expressão.
Vivo até que a morte me leve,
vivo sem saber o que é viver.
Vivo,
por castigo: sem sentido.

Sem promessas; sem confissões,
sem sorrisos; sem lágrimas,
sem dor...
Escrevo no espelho, do quarto,
o nosso nome,
desenho o sorriso que nunca esbocei e,
lentamente deixo-me cair...

Deixando a última lágrima deslizar pelo meu rosto,
deixo, por fim, de existir.

38 à janela:

At 3/11/04 10:46 da tarde, Blogger Magda disse:

que essa última lágrima não seja negra nem uma obsessão,
um bj

 
At 3/11/04 11:08 da tarde, Anonymous Anónimo disse:

Li este teu poema num ápice. O conteúdo é absolutamente devastador... forte... inquietante. Uma visão possível do amar. Uma visão possível do Amor. Ama por forma a seres feliz ou a seres mais feliz. Descobre em cada dia o que é melhor para ti. Descobre-te!

Beijinho :)

Sandra
(Void- http://www.void.weblog.com.pt)

 
At 4/11/04 12:24 da manhã, Blogger lique disse:

Minha querida, nenhuma relação nos deve fazer sentir assim. Porque deixãmos de nos amar a nós próprias. O teu poema é de uma beleza que dói. Mas são inquietantes esses sentimentos. beijinhos, Sara.

 
At 4/11/04 2:50 da manhã, Anonymous Anónimo disse:

Um beijo enorme... Elsa (http://delirios2004.blogs.sapo.pt)

 
At 4/11/04 11:20 da manhã, Blogger Vera Cymbron disse:

O teu poema é um hino à dor! Bonito, mas impróprio para cardíacos...
Nenhum amor deve ser sentido dessa forma...espero não ser este o teu caso. Espero ser tudo um fingimento poético!
Jinho

 
At 4/11/04 12:06 da tarde, Blogger Bufas disse:

Quem és tu Sara? Porquê essa obsessão com a morte? Tem calma que a morte não precisa de ti.
Gostei muito do que escreveste porque já passei por isso. Esqueci-me de quem era e depois ficou o vazio.
Tu, a escreveres assim, és tudo menos vazio, és tudo menos nada, dizes que escreves sem dor, mas sem dor não se escreve assim e as lágrimas são como a tinta que alimentam a caneta e dão vida à tua escrita.

Beijos e continua a sentir.

 
At 4/11/04 12:47 da tarde, Blogger Madalena Pestana disse:

O Amor tem momentos desses. A sorte é que são-no por breve tempo.

:) Bjs.

MP

 
At 4/11/04 4:15 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

Ó minha nossa: aqui não irei responder...
Num outro dia, farei um post só a explicar que o que escrevo aqui não tem que ser necessariamente vivido; não tem que ser real. Mais não me pronunciarei sobre o assunto até o desenvolver num post adequado.

Deixo-vos com a seguinte frase, dita, aqui, pela blue:
« Espero ser tudo um fingimento poético »

 
At 4/11/04 9:42 da tarde, Blogger MONALISA disse:

Sara, Entendo o que dizes: uma altura também pus um poema que tinha mais de 10 anos e toda a gente pensou que era esse o meu estado de espirito. Mas como dizia Pessoa " o poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente".
Um beijo.

 
At 4/11/04 11:34 da tarde, Blogger Gui disse:

Escreves com o coração na pena!
Intenso e belo!
Gostei muito!

Nada deve ser sorvido num ápice;
Nada deve ser consumido obsessivamente;
O Amor deve ser saboreado; cultivado; alimentado por forma a que vá crescendo...

Amar é saber podar, em momentos de obsessão, um amor bem cultivado! Para que continue a crescer forte e saudável.
Todas as formas têm lugar no amor.

bjs :-)

 
At 5/11/04 2:01 da manhã, Blogger Maria Branco disse:

Querida Sara, Como te sei essa capacidade de escrever algo que não experimentas. Digo-te apenas que é dolorosamente belo!! Um beijo grande.

 
At 5/11/04 2:54 da manhã, Blogger Å®t_Øf_£övë disse:

Este poema é mesmo como o titulo diz "Um quadro negro".
Ainda bem que não significa uma expressão de um sentimento teu,porque julgo que o que escreveste não é nada bom de sentir.Significa a anulação total de uma pessoa perante o amor que sente por outra,e que até pode não ser correspondido.Mas mesmo que fosse,uma pessoa com toda essa carga sobre outro ser humano deixaria rápidamente de ser amada para se tornar num peso morto.
No entanto está muito bem escrito.Gostei bastante.
beijo.

 
At 5/11/04 8:05 da manhã, Blogger Micas disse:

O poema é belo, palavras fortes e profundas. Acredito que não seja a visão que tens do amor e que tivesse sido apenas o resultado de um momento de inspiração. Gosto imenso do que escreves. Beijinho e bom fim de semana

 
At 5/11/04 3:49 da tarde, Blogger Marta disse:

Olá,
Obrigada pela visita e comentário que me trouxe aqui.
Que belo poema, adorei. Enquanto o li, ouvi-o, rápido, ritmado.
Bom fim de semana, voltarei.
Bjs

 
At 5/11/04 5:19 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

Monalisa,
ora aí está uma bela frase: "o poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente". Ainda bem que compreendes.
=)**

Gui,
Ainda bem que gostaste :)
Volta sempre :)

Maria B. ;)
Eu sei que tu sabes ;P*

««Å®t_Øf_£övë»» As palavras podem ser duras mas não deixam de ser, por isso, especiais...
;)

Obrigada, Micas :)
Tem, tu também, um bom fds ;)

Marta, é bom quando ao lermos algo a imagem de cada palavra nos aparece como sendo um complemento do que foi escrito. É interessante, quando isso acontece. :)

 
At 5/11/04 6:32 da tarde, Blogger chemistry disse:

Lindíssimo o teu texto, terrivelmente deprimente, faz parte da vida certos momentos negros, de morte.
Beijo
Bom fim de semana

 
At 5/11/04 8:04 da tarde, Blogger Selma disse:

Um amor como o que descreves de tão intenso que é chega a provocar dores sobre humanas.

 
At 5/11/04 9:52 da tarde, Blogger Prof. Teresa disse:

Olá Sara! Foi com muito agrado que recebi a tua mensagem no mail da profteresa. Fico feliz que tenhas gostado do meu pequeno sítio mesmo que ele esteja pouco desenvolvido ainda. Foi com maior agrado que vim aqui ter, à tua janelinha. Percebi que gostas de escrever e que o fazes muito bem. Parabéns! Eu também tenho um blogue mas mais por razões profissionais. Continuação de boas escritas e até à próxima. Beijinho.

 
At 5/11/04 11:11 da tarde, Blogger Yardbird disse:

Ainda bem que é uma poesia. Porque não deixas mesmo de existir, Sarinha :-) Beijinho

 
At 6/11/04 2:03 da tarde, Blogger R/B Estação disse:

Pesado como a cruz dos dias...
Tenho pena que amar seja cenário tão negro como o q pintas... mas sei o que isso é...
Beijinhos Grandes.
Bom fim de semana.

 
At 6/11/04 5:42 da tarde, Blogger c.b. disse:

Olá Sara. Estou aqui :)
Na verdade tenho andado ocupado, sem tempo para visitar os sitios e os mundos do povo que posta seus pensamentos nos blogues. Mas estou aqui, e vou-te acompanhando. Fico a aguardar teu novo poema ;)

Beijos

 
At 9/11/04 10:25 da manhã, Blogger Luna disse:

cá estou para agradecer a visita e o prazer de poder chegar a esta tua casa magnifica...
vou linkar no meu canto passarei a ser visita frequente ao café da manhã. Beijos

 
At 9/11/04 12:09 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

:)

E aos que passaram por aqui pela 1ª vez, agradeço e Voltem sempre =))*

 
At 9/11/04 12:49 da tarde, Blogger Ivo Jeremias disse:

Adorei o teu blog e o teu poema relembrou-me tempos vividos e nunca esquecidos em que escrevi:

Death in the shape of a disease
Killing slowly from inside
I don't know if i'd rather die slowly or just put an end to it!
Who cares?
No one!
Everyone's dead already...
so... why bother?!
Lets put it on paper.
Lets sign the contract!
I got the Knife to sign...
Let me just sharp it... just to make sure.
I will honour it!
You can take my soul and body....
Take me anywhere you desire...
I hate this cemetery!
All i see is graves surrounding me...
Let me fall asleep
Let me close my eyes
Take me in your arms...
And carry me...
To the valley of the lost souls...

 
At 9/11/04 1:00 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

Jeremias,
já te tenho "visto" por outros lados ;))

Ainda bem que gostaste deste mundo à janela
É bom saber disso :)*

 
At 9/11/04 1:45 da tarde, Blogger Ivo Jeremias disse:

É provável que me tenhas visto por ai... gosto de viajar pela blogoesfera... encontram-se pessoas interessantes, com algo de interessante para dizer e partilhar.
Beijinhos

P.S.: adicionei o link do teu blog no meu proprio blog espero que não te importes.

 
At 9/11/04 2:57 da tarde, Blogger Rita disse:

Ola Sara!!
Obrigado pela tua visita no meu "Fragilidades", fikei contente pois é muito raro ver-te por lá :)
Adorei este teu texto, entendo bem o k falas e escreves, por vezes sinto-me assim como tu descreves, mas podem ser momentos, dias ou apenas uma nuvem negra que paira acima de nós...
axo k todos temos momentos desses!|
Um Abraço Grande

 
At 9/11/04 3:10 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

 
At 9/11/04 3:13 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

 
At 9/11/04 3:15 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

(Bolas que isto hoje está dificil com os comentários... irra... dou em trabalhar com html e dp só sai porcaria... grrr... )

Jeremias, claro que não me importo por me teres linkado... ;)
Entre outros locais passo a destacar o pano do pó. ;)

Rita, foi como disse no post anterior...
Jinho pra ti e fica bem :)

 
At 9/11/04 6:33 da tarde, Anonymous Anónimo disse:

Olá Sara, há vidas assim. Há momentos assim. Escreves muito bem, Sara. Gostei muito do texto, embora sofrido.
Adorei tua visitinha que espero não ser a única, ok?
Beijokas e um bom restinho de semana.
Anne
Http://www.anne_voce.blogger.com.br

 
At 9/11/04 8:17 da tarde, Blogger barbaciliano disse:

Há a verdade das palavras e a verdade da alma :)
Beijinho grande

 
At 9/11/04 10:03 da tarde, Blogger Ivo Jeremias disse:

Oh não! tu já me viste no Pano... esse lugar decadente... lol tou a brinca´r. é um dos meus blogs preferidos, tou lá todos os dias, é bastante divertido.
Jokas e até já.

 
At 10/11/04 1:13 da tarde, Blogger AnaP disse:

Posso dizer-te que senti estas palavras como minhas... como sabes que era isso que estava a pensar? Beijos***

 
At 10/11/04 4:03 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

Anne, certamente que não será a última... ;)*

Luisa, ora nem mais :)

Jeremias,
lol... realmente o pdp é um lugar deveras estranho... LOL... ;P*

AnaP :))
Beijo*

O resto de uma boa semana para todos vós!! =))

 
At 11/11/04 2:23 da tarde, Blogger Luh disse:

Só hoje descobri este teu cantinho minha linda Sara. E não me surpreendi. Já te advinhava assim.
Beijinhos e já sabes onde me encontrar...
Luísa (dondoca marquesa)

 
At 11/11/04 6:32 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

Luísa,
achei giro ter-te "visto" por aqui, até porque não sabia que tinhas um blog e tudo xD

Volta sempre :)
Um beijinho*

 
At 13/11/04 9:07 da tarde, Blogger Alma de Poeta disse:

Olá
Vu deixar o comentário neste post, só por um motivo. Esta poesia tocou-me muito, por um motivo, esses setimentos são os meus, vi-me reflectida nessas poéticas palavras.
Para além de ter adorado, fez-me reflectir tb no sentido de alguma coisas.
Adorei.
FICA UM BEIJO

 

Enviar um comentário

<< Voltar ao mundo