quarta-feira, julho 13, 2005

Há sempre um novo olhar

Os seus olhos perderam o brilho, quando chegou ao restaurante e ele ainda não tinha chegado. Respirou fundo e decidiu sentar-se. Estava uma noite bonita, apesar do frio que se fazia sentir lá fora.
Há quinze minutos que esperava, inquieta, por ele. Olhava, invariavelmente, para o relógio, assim como para a porta. O tempo custava a passar. Decidiu, então, retocar a maquilhagem. Colocou a sua mão, delicada, dentro da mala, na tentativa de encontrar, no meio de tanta confusão, o seu batom rosa claro. Pintou os seus lábios finos que estavam, agora, ainda mais atraentes e convidativos. Mas, antes de regressar à sua mesa decidiu ligar-lhe. Marcou o número, que não estava gravado, mas que ela sabia de cor, e esperou, nervosa, que ele atendesse.

_ Francisco…?!

Do outro lado da linha, Madalena só ouvia uns gemidos que lhe provocaram um nó forte na garganta. Mas, mesmo assim, voltou a repetir o nome dele e, mesmo que não obtivesse resposta, dizia-lhe o que queria dizer.

_ Francisco, estou aqui, no restaurante que tu escolheste, à tua espera. Estás atrasado uma hora, mas eu ainda estou e ficarei aqui até tu chegares.

E, do outro lado, uma voz feminina murmurou cruelmente:

_ Francisco?? [risos] O Francisco está demasiado ocupado para deixar de fazer o que está a fazer e ir, a estas horas da noite, a um restaurante ter com uma mulher louca e esfomeada que não vê um homem há séculos.

Madalena ficou seca por dentro. Estagnada, em frente ao espelho, deixou deslizar o telemóvel, que tinha nas mãos, acabando por ficar inerte no chão.
A única coisa que pensou é que só podia ser a Matilde. Uma ex-colega sua e do Francisco. Uma menina mimada, embirrenta e gorda que sempre teve inveja dela. Os anos passaram e Madalena nunca mais se encontrou com Matilde, que se deveria ter tornado numa mulher muito apelativa. Afinal, ela até tinha um rosto engraçado, não fosse o facto de ser (muito) gorda e de ter um ar irritante. Porém, ultimamente, o Francisco falava, algumas vezes, nela, dizendo o quanto ela tinha mudado; na bela morena, sardenta, de corpo escultural e de olhos grandes: pretos. Mas, Madalena não era uma mulher ciumenta e acreditava, fielmente, no amor de Francisco.

Olhou, de novo, para o espelho. Viu, nele, a sua imagem reflectida. Não se achava feia, antes pelo contrário. Era nova, um ano mais nova que o Francisco e que a Matilde. Tinha uma postura firme, embora tivesse um ar ingénuo de menina, delicada.
Madalena amava o Francisco desde os tempos da primária. Tinha 24 anos – ele 25 – e namoravam há já dez anos. E, era isso que custava. Era duro perceber o porquê de toda aquela situação. Mas, apesar de tudo, Madalena reagiu bem. Olhou-se, pela última vez, ao espelho. Sorriu.

Sentou-se na mesa que lhe estava reservada. E, de passos firmes, ia-se aproximando um homem, que a olhou nos olhos e de voz prudente e sensual disse:

_ Uma jovem donzela, tão bonita, não pode jantar sozinha. Posso sentar-me e fazer-lhe companhia?

Madalena, inconscientemente, deu uma gargalhada tímida e, em seguida, respondeu:

_ Pode…

15 à janela:

At 13/7/05 2:44 da tarde, Blogger JC disse:

As melhéres são todas iguais, pfff!!! Só porque o rapaz tinha um "trabalhinho" entre mãos, ficou logo cheia de raiva, essazinha de Madalena!!! :tsc:

 
At 14/7/05 1:04 da tarde, Blogger Daniel Aladiah disse:

Querida Sara
à beira dum precipício, a tentação de dar um grande passo em frente...
Um beijo
Daniel

 
At 14/7/05 8:33 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

JC,
olha que tu levas... é que levas mesmo!! E tu sabes que eu dou a sério :D Por isso... ;P

Daniel,
sempre tão presente, aqui, neste muito à janela...
Obrigada, por isso, :)*

 
At 15/7/05 9:29 da tarde, Anonymous Anónimo disse:

gostei, como sempre...
:)


ass:Neo

 
At 16/7/05 4:08 da tarde, Blogger Acácio Simões disse:

REALMENTE AS MULHERES SÃO UNS BICHOS MUITO COMPLICADOS...! ! !

 
At 16/7/05 7:00 da tarde, Blogger Vera Cymbron disse:

Adoro a tua janela! Desculpa a ausência...o tempo nem sempre é amigo.
Jinhos

 
At 16/7/05 7:17 da tarde, Blogger Paulo Dâmaso disse:

Amar sem ser amado, é o mesmo que ser campeão e não ter título! Não rima mas é verdade!

 
At 16/7/05 7:21 da tarde, Blogger Paulo Dâmaso disse:

Agora mais sério,

Obrigado pela tua visita ao Bifanas. Espero que por la´continues a ir. Gostei da tua "janela".

Beijo. Paulo

 
At 17/7/05 9:54 da manhã, Blogger AmigaTeatro disse:

Ainda bem, Hugo :)

Acácio Simões,
ai ai, ai... não gostei, apfum!!
lol ;P

Vera Cymbron,
ora, eu compreendo-te perfeitamente... ;)*

Paulo Dâmaso,
volta sempre! :)

 
At 17/7/05 12:22 da tarde, Blogger Amor Maior disse:

Grande "Madalena"! Beijos e obrigada pela visita...prometo voltar!

 
At 18/7/05 10:42 da manhã, Blogger António disse:

Esta história pede continuação.
Vais lha dar?
Pensa nisso.
Jinhos

 
At 18/7/05 6:30 da tarde, Blogger AmigaTeatro disse:

Amor Maior,
volta, sim, terei todo o prazer no teu regresso :)

António,
não me parece que dê continuação, em todo o caso, pensei "nisso" ;P
não prometo nada, vamos a ver... ;)*

 
At 22/7/05 3:16 da manhã, Blogger redguy disse:

Pá...

amava o gajo desde a primária???

e quem é que atendeu o telefone???

e porque raio é que ela não tinha o número de telefone do tipo que é namorado dela há 10 anos gravado?? :|

 
At 27/7/05 11:55 da manhã, Blogger AmigaTeatro disse:

Olha quem ele é...!!! ;P

1º Sim.
2º A Matilde
3º precisamente pq o sabia de cor...

percebeu?! ;D

 
At 29/7/05 8:37 da tarde, Blogger redguy disse:

Inverosímil.

 

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