quarta-feira, dezembro 21, 2005

Lago

Como é dolorosa, esta teimosia de sofrer passiva
o drama deste mundo que se queima
em cada monte de ervas verdes!

Dóis-me. Tu não sabes como eu sinto - sempre
esta mania de me convencer de que sofro.
É verdade. Queria-te aqui. Despido de memória.
Mergulhaste neste lago e eu lavei-te a boca e os olhos.
Depois vieste dormir com o coração no meu colo de mãe.
Vem outra vez. E outra. Eu dou-te um filho da natureza. Tu.


in A mar te, Lena d’Água
Imagem do Corpo nº 20
Ulmeiro 1984



O curioso é que eu bem que podia dizer como este poema se encaixa na perfeição na minha pessoa (pelo menos alguns versos)... mas não digo.