Silêncio

Adormecer e tentar encontrar-te cá dentro. Acreditar que talvez em sonhos tu me possas pertencer e, assim, devolveres-me a vida que, por ti, perdi. Mas a obsessão enlouquece-me e ter-te já não é uma questão de amor, mas sim de sobrevivência. O peso da ilusão é brutal e traz-me diariamente uma dor que me vai consumindo de tal forma que chego a deixar de sentir. Emudeço por completo, para sempre e, sem vontade de me erguer, deixo-me cair num abismo que só a mim me pertence. Deixo, então, que o tempo passe por mim, em troca de poder dormir perpetuamente. Sem dor. Sem o som da tua voz que me mata e me prende incessantemente a ti.
No dia em que o meu silêncio se quebrar será para dizer: Amo-te!